Temos espalhados por nosso país e pelo mundo "humoristas" que acreditam que qualquer piada vale desde que faça o público rir, que acham que o humor deve ser excluído de qualquer seriedade e contexto social. Rafinha Bastos acha que é válido fazer piada satirizando as sobreviventes de um crime de estupro, Danilo Gentili acha normal fazer graça com vitimas do holocausto, e já disse em entrevista que "minha pretensão com a comédia nunca é denunciar, nunca é nada, é só destruir mesmo".
Muitos destes mesmos humorista acham que a piada não deve ter responsabilidade social nenhuma, que ela não é formadora de opinião, afinal é só uma piada, quem vai levar a sério? A questão é que toda forma de entretenimento tem sim uma função social, principalmente o humor, que reforça preconceitos e normaliza atentados contra os direitos humanos, como o desrespeito por minorias historicamente oprimidas.
O documentário "O Riso dos Outros" com direção de Pedro Arantes, mostra as facetas desta questão. No filme, a famosa blogueira feminista e doutora em língua inglesa e literatura, Lola Aronovich, após diversos humoristas soltarem a famosa perola "É só uma piada", ela responde "É um insulto". E é realmente isto, nada é apenas uma piada, o humor tem um cunho social e ideológico muito maior do que imaginamos.
Gabriel Groswald, diz uma frase interessantíssima no documentário, com a qual concordo plenamente: "O humor do qual mais gosto, é o que não ri da vítima, mas do carrasco, mas este é um processo, é um trabalho do comediante, tem que ver com a ideologia do comediante. Eu vejo comediantes que riem, por exemplo, dos pobres, e não é algo que eu goste, porque se está rindo do pobre e não me parece que seja justo."
Recomendo a todos assistirem ao documentário, pois é muito completo e interessante. Fernando Caruso, faz uma ótima piada sobre preconceito contra homossexuais, Jean Willys defende a causa das minorias de forma sublime e
O humor surgiu na antiga Grécia com as comédias gregas, e derivou da medicina humoral, onde acreditava-se que o humor era um dos responsáveis pela regulação da saúde física e emocional. Atualmente o humor é considerado uma ciência, e possui diversas vertentes teóricas. Mas uma coisa é certa, sua função é muito maior do que apenas fazer rir, visto que o humor ocupa uma função de medidor da evolução social de uma comunidade. Portanto é de uma pobreza intelectual incrível um humorista dizer que é só "uma piada".
Infelizmente estamos tão acostumados com o humor pejorativo e preconceituoso, que deixamos de perceber que o humor revolucionário já faz parte do nosso cotidiano, é claro que ainda em menor grau, mas a piada consciente e politicamente correta, já está ocupando as ruas, e é muito mais engraçada!
Laerte, o famoso cartunista, é o maior representante brasileiro do humor revolucionário. Suas tirinhas com humor de cunho critico já ganharam muitos fã e tiveram um papel fundamental durante a ditadura com suas publicações no folhetim "O Pasquim". Veja alguns de seus trabalhos:
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O retorno do falecido partido Arena. |
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Resposta ao Sr. Ives Gandra, por sua ignorante entrevista dada a Folha de S. Paulo. |
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Resposta ao infame tweet de Danilo Gentili "'1 gay é morto a cada 26 hs?' 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém ai come meu cu hj? Só por segurança." |
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Em resposta a polêmica e ridícula "Cura Gay" |
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Em resposta ao Bolsonaro. Acho que está nem precisa de muita explicação né? |
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Argentina aprova lei que permite casamento entre casais homossexuais. |
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Em relação a escolha pessoal de Laerte de assumir ser um cross-dresser (pessoa que se veste como uma pessoa do sexo oposto) |